segunda-feira, 26 de maio de 2014

Câmera perdida no mar



Câmera é resgatada com fotos intactas depois de 2 anos embaixo do mar http://virgula.uol.com.br/inacreditavel/curiosidades/camera-e-resgatada-com-fotos-intactas-depois-de-2-anos-embaixo-do-mar

O que uma câmera perdida tem a ver com ciência?

Olhem para a imagem acima e digam o que veem. Muitos irão dizer, supostamente, que ela está suja. Essa "sujeira" são organismos. E esse processo/acumulo de organismos se chama bioincrustação (fouling).

O fouling são fixados/criados em cascos de embarcações, cultivo de organismos marinhos, e objetos no mar. Um tema que merece estudos, e que tem impacto na economia naval e na produção/cultivo de organismos marinhos. Além de impacto ambiental, em caso de espécies exóticas/invasora.

Outro tema que podemos abordar partindo da observação da imagem do início da postagem é o RAM - Recifes Artificiais Marinhos (veja o post de Vantagens e Desvantagens do Recife Artificial Marinho). De acordo com Santos e Passavante (2007), "vários estudos em recifes artificiais têm focado seus esforços no estudo da ictiofauna e da fauna incrustante (fouling)"

Livro: Vida Marinha de Santa Catarina

 

Editora: Editora da UFSC
Língua: Português
Páginas: 128
ISBN: 978-85-328-0600-0 (versão eBook)
ISBN: 978-85-328-0675-8 (versão impressa)
Ano: 2014


O eBook Vida Marinha de Santa Catarina apresenta 491 imagens de 436 espécies marinhas encontradas no estado de Santa Catarina, Brasil. São imagens que auxliam na identificação de algas e plantas marinhas, invertebrados, peixes, aves, tartarugas e mamíferos. Financiado pela FAPESC e com contribuições de 75 autores e fotógrafos, o livro também tem como objetivo divulgar a rica biodiversidade marinha presente em Santa Catarina.

Download: http://biodiversidade.ufsc.br/resultados.html

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Curso de Inverno de Genética (CIG)


O Curso de Inverno de Genética (CIG) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é ofertado anualmente, desde 2008, por professores e alunos da pós-graduação em Genética da UFPR, com o objetivo de contribuir para a formação acadêmica dos alunos e promover intercâmbio de experiências e informações entre alunos de diferentes áreas da genética. Este ano, o Setor de Ciências Biológicas da UFPR irá sediar o XII Encontro Paranaense de Genética e o VII Curso de Inverno de Genética que serão ofertados como um Evento conjunto - Genética para Todos – que, além de ofertar os mini-cursos e aulões característicos do CIG, incluirá Conferências e Simpósios ministrados por pesquisadores de diferentes áreas da Genética. O Evento contará também com Sessão de Painéis e apresentação das Linhas de Pesquisa do Programa de pós-graduação em Genética da UFPR.
Genética para Todos também ofertará um conjunto de atividades voltadas para professores do Ensino Médio que visam ampliar e explorar o conhecimento relativo a temas contemporâneos da Genética e que são relevantes para a realidade educacional e social brasileira. O Evento incluirá a sessão Genética na Escola para a mostra de recursos e ferramentas didáticas produzidos por professores de Ensino Médio e de Graduação.
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O evento será realizado entre 21 a 25 de julho de 2014 em Curitiba no setor de Ciências Biológicas da UF
​ PR
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As Inscrições estão abertas.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

TESTES DE TOXICIDADE



TESTES DE TOXICIDADE

- AGUDA: avalia uma resposta severa e rápida dos organismos, a um estimulo que se manifesta, em geral, num intervalo de 0 a 96 horas. Normalmente o efeito observado é a letalidade ou outra manifestação que a antecede, como imobilidade para invertebrados. Determinar a Concentração Letal Média (CL50) ou a Concentração Efetiva Média, ou seja, a concentração do agente tóxico que causa mortalidade ou imobilidade, respectivamente, a 50% dos organismos depois de determinado tempo de exposição.
Autores consideram que associações do monitoramento químico com o monitoramento biológico, permitem uma melhor avaliação das causas dos efeitos nos organismos, através da identificação de substâncias que podem estar influenciando na toxicidade das amostras.
O ecossistema aquático pode apresentar condições inadequadas para a manutenção da vida, mesmo quando parâmetros físico-químicos da água estejam de acordo com a legislação. Isto pode ser causado por interação entre componentes de efluentes, fontes de poluição não pontuais, etc.
Em ecossistemas aquáticos não se deve limitar-se apenas a análise da água, mas também do sedimento – os poluentes sofrem transformações/interações físico-químicas (diluição, biodegradação, sedimentação...), estando geralmente disponíveis em concentrações crônicas. No entanto fazem, na maioria dos casos, estudos agudos = testes baratos, confiáveis e simples, mas existem limitações quanto à interpretação e geração de dados:
·        Avaliar de que maneira a mortalidade aumenta após a exposição.
·        Geralmente se faz com uma espécie: contexto de multiespécies = cadeia trófica.
·        Variação entre as espécies. Um nível seguro para A pode não ser para B
·        Etc.

- sub-crônica: O tempo de exposição deste estudo é de 1 a 3 meses. São usadas 3 doses experimentais (mínima, intermediária e máxima). Sendo que a dose máxima não deve produzir um índice de letalidade acima de 10% (para que não inviabilize as avaliações histopatógicas e bioquímicas).

Os principais objetivos deste estudo são:

  • determinar a dose de nenhum efeito observado – DNEO (que significa a dose máxima na qual não se observa efeito).
  • estudar mais efetivamente órgãos alvos e determinar aqueles com mais suscetibilidade.
  • prover dados sobre dosagens seletivas para estudo de toxicidade crônica


- CRÔNICA: dependem diretamente dos resultados de toxicidade aguda, sendo que concentrações subletais são calculadas a partir da CL50. Mais sensíveis à diluição esperada em amostras ambientais; avalia a ação dos poluentes cujo efeito traduz-se pela resposta a um estímulo que continua em longo tempo, geralmente por um período que vai de 10% do ciclo vital até a totalidade da vida do organismo. Observam-se, normalmente, efeitos que permitem sua sobrevivência, mas que afetam uma ou várias das funções biológicas – reprodução, desenvolvimento dos ovos, crescimento, etc.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL E SÓCIO-ECONÔMICA DE UMA ESPÉCIE EXÓTICA INTRODUZIDA (Agave sisalana) NO BRASIL



Primeiramente gostaria de dizer que este texto foi redigido com a ajuda de Jonatas Valler, grande amigo da Biologia.

1.                  Caracterização da espécie
A família Agavaceae possui distribuição predominantemente pantropical com cerca de 25 gêneros e 637 espécies, reunindo plantas herbáceas, árvores e arbustos rizomatosos, com folhas alternas, espiraladas e dispostas em rosetas. Destaca-se o gênero Agave com 300 espécies distribuídas e cultivadas em regiões tropicais do Novo Mundo, principalmente em ambientes áridos e semiáridos. Muitas espécies de Agave (sisal), Furcraea e Yucca são usadas como fontes de fibras, e algumas espécies de Agave são fermentadas para produzir tequila e mecal.
A Agave sisalana (Perrine ex Engelm), popularmente conhecida como sisal, é uma importante fonte para produção de fibras. Apresenta atividades anti-inflamatória e analgésica, sendo largamente utilizado como fitoterápico para o controle de inflamações. O Brasil é o maior produtor e exportador de fibras de sisal, produto que se destaca por sua ampla utilização doméstica, industrial e, mais recentemente, no reforço de compósitos poliméricos.
2.                  Histórico da invasão
A. sisalana tem sua origem na Península de Yucatán, México. Invade preferencialmente regiões costeiras. Invasora em ilhas e Arquipélagos do Pacífico (Havaí, Polinésia, Micronésia), África do Sul e Austrália.
No Brasil, foi introduzida, em meados de 1900, no Estado da Bahia que atualmente detém maior porcentagem da produção brasileira seguido dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará que encerram as áreas de cultivo dessa importante monocotiledônea produtora de fibra natural no semiárido brasileiro.
A importância do sisal para a economia do setor agrícola nordestino pode ser analisada sob diversos aspectos. O cultivo do sisal se estende por 75 municípios atingindo uma área de 190 mil ha, em propriedades de pequeno porte, menores que 15 ha, nas quais predominam a mão-de-obra familiar, perfazendo uma população de aproximadamente 700 mil pessoas que vivem, direta ou indiretamente, em estreita relação com esta fibrosa.
3.                  Consequências e impactos relacionados
O sisal tem seu impacto voltado à expulsão de espécies nativas por ocupação do espaço e adensamento. Porém a agaveicultura ocupa uma extensa área de solos pobres na região semiárida de alguns estados do Nordeste, sendo inclusive a única alternativa de cultivo com resultados econômicos satisfatórios para a região.
Devido sua reprodução direta de brotos do rizoma da planta mãe, o controle é dificultoso, pois seu rizoma pode produzir novos indivíduos, mesmo sendo retirada a parte exposta da planta. E os bulbilhos são brotos que se destacam da inflorescência. No escapo floral pode ocorrer de dois a três mil bulbilhos de vários tamanhos.

Figura 1. Estruturas da Agave sisalana
 


4.                  Estratégias para resolver o problema.
As fibras de sisal são consideradas uma das mais importantes fibras duras do mundo, e a sua utilização em substituição a fibras sintéticas torna-se muito importante por ela ser biodegradável, atóxica e de fonte renovável.
Por proporcionar a cobertura do solo, geração de emprego e renda, o plantio comercial desse vegetal pode ser uma estratégia extremamente relevante para as regiões produtoras, seja no aspecto econômico, social ou ambiental.
Com esforços crescentes para tornar o surf sustentável e ecologicamente correto, bem como minimizar o impacto ambiental que a atividade propicia na construção das pranchas, tem-se estudos que propõem fabricar blocos de madeira de seu pedúnculo floral, que servirão como miolo na construção das pranchas, utilizando a espécie Agave sisalana.
Em referência ao controle de Agave sisalana, autores recomendam aspersão foliar de Triclopir, e a injeção de 2mL por planta de MSMA 720g/L concentrado. Entretanto, uma particularidade foi observada no controle de F. foetida, uma espécie da mesma família e morfologicamente semelhante a A. sisalana, meses após o controle via corte e aplicação de herbicida, as partes cortadas das plantas não morreram e, mesmo desconectadas do caule, emitiram pendões e bulbilhos. Essa característica gera a necessidade adicional de se remover do local a biomassa cortada.

Referências Bibliográficas

DE ALMEIDA, Walkiria Rejane; LEÃO, Tarciso Cotrim Carneiro. Contextualização Sobre Espécies Exóticas Invasoras – Dossiê Pernambuco. Execução: Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN). 2009


de Oliveira, Renata Evangelista; Zakia, Maria Jose Brito. GUIA PARA ANÁLISE DE VIVEIROS DE MUDAS NATIVAS. Check –list para verificação da adequação legal, socioambiental e ecológica de viveiros de mudas florestais. IPEF, 2010

GONDIM, Tarcísio Marcos de Souza; DE SOUZA, Leossávio César. Caracterização de Frutos e Sementes de Sisal. Circular Técnica 127. Campina Grande/PB, 2009.