quarta-feira, 14 de maio de 2014

CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL E SÓCIO-ECONÔMICA DE UMA ESPÉCIE EXÓTICA INTRODUZIDA (Agave sisalana) NO BRASIL



Primeiramente gostaria de dizer que este texto foi redigido com a ajuda de Jonatas Valler, grande amigo da Biologia.

1.                  Caracterização da espécie
A família Agavaceae possui distribuição predominantemente pantropical com cerca de 25 gêneros e 637 espécies, reunindo plantas herbáceas, árvores e arbustos rizomatosos, com folhas alternas, espiraladas e dispostas em rosetas. Destaca-se o gênero Agave com 300 espécies distribuídas e cultivadas em regiões tropicais do Novo Mundo, principalmente em ambientes áridos e semiáridos. Muitas espécies de Agave (sisal), Furcraea e Yucca são usadas como fontes de fibras, e algumas espécies de Agave são fermentadas para produzir tequila e mecal.
A Agave sisalana (Perrine ex Engelm), popularmente conhecida como sisal, é uma importante fonte para produção de fibras. Apresenta atividades anti-inflamatória e analgésica, sendo largamente utilizado como fitoterápico para o controle de inflamações. O Brasil é o maior produtor e exportador de fibras de sisal, produto que se destaca por sua ampla utilização doméstica, industrial e, mais recentemente, no reforço de compósitos poliméricos.
2.                  Histórico da invasão
A. sisalana tem sua origem na Península de Yucatán, México. Invade preferencialmente regiões costeiras. Invasora em ilhas e Arquipélagos do Pacífico (Havaí, Polinésia, Micronésia), África do Sul e Austrália.
No Brasil, foi introduzida, em meados de 1900, no Estado da Bahia que atualmente detém maior porcentagem da produção brasileira seguido dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará que encerram as áreas de cultivo dessa importante monocotiledônea produtora de fibra natural no semiárido brasileiro.
A importância do sisal para a economia do setor agrícola nordestino pode ser analisada sob diversos aspectos. O cultivo do sisal se estende por 75 municípios atingindo uma área de 190 mil ha, em propriedades de pequeno porte, menores que 15 ha, nas quais predominam a mão-de-obra familiar, perfazendo uma população de aproximadamente 700 mil pessoas que vivem, direta ou indiretamente, em estreita relação com esta fibrosa.
3.                  Consequências e impactos relacionados
O sisal tem seu impacto voltado à expulsão de espécies nativas por ocupação do espaço e adensamento. Porém a agaveicultura ocupa uma extensa área de solos pobres na região semiárida de alguns estados do Nordeste, sendo inclusive a única alternativa de cultivo com resultados econômicos satisfatórios para a região.
Devido sua reprodução direta de brotos do rizoma da planta mãe, o controle é dificultoso, pois seu rizoma pode produzir novos indivíduos, mesmo sendo retirada a parte exposta da planta. E os bulbilhos são brotos que se destacam da inflorescência. No escapo floral pode ocorrer de dois a três mil bulbilhos de vários tamanhos.

Figura 1. Estruturas da Agave sisalana
 


4.                  Estratégias para resolver o problema.
As fibras de sisal são consideradas uma das mais importantes fibras duras do mundo, e a sua utilização em substituição a fibras sintéticas torna-se muito importante por ela ser biodegradável, atóxica e de fonte renovável.
Por proporcionar a cobertura do solo, geração de emprego e renda, o plantio comercial desse vegetal pode ser uma estratégia extremamente relevante para as regiões produtoras, seja no aspecto econômico, social ou ambiental.
Com esforços crescentes para tornar o surf sustentável e ecologicamente correto, bem como minimizar o impacto ambiental que a atividade propicia na construção das pranchas, tem-se estudos que propõem fabricar blocos de madeira de seu pedúnculo floral, que servirão como miolo na construção das pranchas, utilizando a espécie Agave sisalana.
Em referência ao controle de Agave sisalana, autores recomendam aspersão foliar de Triclopir, e a injeção de 2mL por planta de MSMA 720g/L concentrado. Entretanto, uma particularidade foi observada no controle de F. foetida, uma espécie da mesma família e morfologicamente semelhante a A. sisalana, meses após o controle via corte e aplicação de herbicida, as partes cortadas das plantas não morreram e, mesmo desconectadas do caule, emitiram pendões e bulbilhos. Essa característica gera a necessidade adicional de se remover do local a biomassa cortada.

Referências Bibliográficas

DE ALMEIDA, Walkiria Rejane; LEÃO, Tarciso Cotrim Carneiro. Contextualização Sobre Espécies Exóticas Invasoras – Dossiê Pernambuco. Execução: Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN). 2009


de Oliveira, Renata Evangelista; Zakia, Maria Jose Brito. GUIA PARA ANÁLISE DE VIVEIROS DE MUDAS NATIVAS. Check –list para verificação da adequação legal, socioambiental e ecológica de viveiros de mudas florestais. IPEF, 2010

GONDIM, Tarcísio Marcos de Souza; DE SOUZA, Leossávio César. Caracterização de Frutos e Sementes de Sisal. Circular Técnica 127. Campina Grande/PB, 2009. 

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